domingo, 19 de setembro de 2010

CARTAS

Pomos as cartas de lado e nunca mais as lemos e por discrição acabamos por destruí-las; assim desaparecem os mais belos flagrantes sopros de vida, tornando-se irrecuperáveis para nós e para os outros.
                                   (Goethe - Afinidades Eletivas)

Escrever cartas significa despir-se diante de fantasmas, que as esperam avidamente. Os beijos pro escrito não chegam ao seu destino, os fantasmas os bebem pelo caminho.

(Kafka - Cartas a Milena)


As correspondências podem ter inicio rodeadas por uma atmosfera amigável, envoltas pela névoa misteriosa que acompanha essas conversas guardadas entre linhas e envelopes selados.
Podem demonstrar um mútuo interesse pela descoberta de identificações, afinidades pela poesia, pela literatura e podem, ainda, percorrer muitos outros assuntos- sons, ritmos, cores, paisagens e sabores-, como todos os caminhos que levavam às agências dos "Correios e Telégrafos”.
"(...) Com o passar das palavras notava-se que, naturalmente, ela não era uma sedutora no que não estava restrito à palavra, não que quisesse seduzir ninguém, nem sequer determinada pessoa, a quem aprendeu a admirar como criador de histórias e de poemas, pela sua irreverência comedida, pela fineza de seu trato, pela agudeza de suas palavras. Pelo seu perfil severo, distante e taciturno, como tal se definia, traços imediatamente percebidos.
Tensionavam tanto o fio que podiam tirar canções daquelas cordas estendidas. Os sons poderiam não sair propriamente de uma viola de gamba, de um austro-húngaro violino, mas de uma rabeca, muitas vezes sem a adequada afinação. Afrouxava-se, então, o tom da conversa (...).”
Entre o esticar e o encolher de muitas conversas puxadas na forma de mensagens, quer fossem frouxas, tensas, curiosas, ansiosas por respostas, de poemas trocados, textos lidos e discutidos, mais do que paixão por poesia, literatura e rock and roll, não ordenada, tratava-se de um encontro de idéias, compactuavam com uma maneira embaraçada e aturdida de ser. Contrapunham-se, muitas vezes desconcertavam um ao outro, natural entre os que escrevem cartas sem compromisso com o futuro, apenas à espera da surpresa que poderia conter o próximo envelope lacrado.
Em busca da satisfação que traz o gosto pelas palavras, como voyeur que bisbilhota a vida alheia, serão “postadas” algumas cartas entre correspondentes que conversam sobre múltiplos interesses, em diferentes épocas e situações. 







5 comentários:

  1. É uma delícia ler suas palavras...
    beijos

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  2. querida,

    delícia foi ler suas notícias e saber de você, da casa nova e de nossas miúdas.
    Obrigada pela torcida.
    beijos, beijos

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  3. Fiquem atentos, por aí vem mais...
    Beijos,

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  4. Oi, Gra!

    Alimento para alma. Tenho que deixar de ser atrasada e beber desta água todos os dias.

    Beijão, amiga!

    Parabéns!
    Nil.

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