quarta-feira, 20 de outubro de 2010

POESIA E PROSAPOPEIA ... "É tudo do mesmo jeito."


SACO DE CEGO

  Oliveira de Panelas
                                                                               

Colaboração de César Ades

No saco de cego tem:
Arroz, feijão e farinha
fubá de milho e sardinha,
tem pão, café, tem xerém
algum dinheiro também,
sal, bolacha, amendoim,
tem pé de porco e pudim,
tem tripa e carne de bode.
Só outro cego é quem pode
ter tanta salada assim


No meu livro tem doutrina,
moral e filosofia,
humorismo, poesia.
Romantismo, disciplina,
oração e medicina,
filantropia e direito,
Tem mentira e preconceito.
Na misturada não nego:
Meu livro e saco de cego
É tudo do mesmo jeito.




Imagens: Divulgação

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

AS PROFESSORAS


Se esquecer é uma questão aberta, a passagem do tempo é inquestionável. “Até o silêncio passa”. “Até passarinho passa”. “A memória é amiga do tempo (...)”. 
 Falo da memória na qual guardamos as pessoas, daquelas que não nos saem nunca do pensamento, até quando se aborrecem do tanto que nos lembramos delas, pode até ser errado pensar demais nas pessoas, lembrar demais. Mas não há como tirar do pensamento as pessoas que queremos bem (a memória nem sempre é seletiva e guardamos na mesma memória as que não nos querem ou as que não queremos tanto). É que “O tempo, o tempo que passa inexorável, o “imenso tempo” está acompanhado da memória e quem não tem memória não tem mais vida, porque “só existe um tempo: o tempo vivo (...)”.  
Os professores não são mais homenageados,  nem somos mais lembrados, exceto por não ter aula  no dia do ano a nós dedicado, não dá para não ser nostálgica num tempo em que escolas se tornaram empresas, alunos clientes e, daqui a pouco, nem x saberão mais fazer. 
Como Bartô  guarda na memória os seus muitos professores, entre eles o avô paterno e Dona Maria Campos, me lembro especialmente de duas professoras.
Dona Rosa Maria, no pré-primário, que me fazia carinho com seu olhar de ternura (não lembro tenha encontrado outra professora com aqule olhar) e na hora da merenda servia o refresco em um copo articulado, dobrável, igualzinho ao citado pelo Bartô. Também não esqueci que aquele copo e seu "design" tão pouco funcional, sempre deixava vazar suco sujando a blusa do uniforme e o guardanapo estendido sobre a mesinha onde apoiava o lanche e o caderno de desenho.
 Lembro de Dona Beatriz, no primeiro ano do colegial, como uma  mulher  pouco comum para aqueles tempos, ao menos entre as que conhecia e rara entre as professoras. Com sua voz segura e conhecimentos além das regras gramaticais, suas palavras e atitudes me orientariam para o muito que viria pela frente na minha vida. Dona Beatriz ensinava a gostar de ler, a me interessar por política, a analisar a letra de uma música e entender que, se o “Tigre chegou na frente e metralhou a garganta do estudante”*, escondida neste verso havia outra história que não podia ser escrita dado que guardava muitos significados. Foi assim que Dona Beatriz  me respondeu o porque da censura.
Preferia me mostrar que era mais fácil gostar de teatro a fazer análise sintática, a fazer redações ao invés de cópias dos verbos, que escrever jograis e trazer minhas colegas a representá-los diante de toda a classe, daria mais resultado a decorar radicais gregos.
Depois que foi demitida da nossa Escola, nunca mais tive notícias de Dona Beatriz, desapareceu até dos arquivos da ditadura, mas jamais sairá da minha memória, pelo menos lá, se mantém viva. 
Não suportaram a alegria de Dona Beatriz quando nos dava aulas sobre a vida.




Dona  Rosa Maria e eu


* O Tigre: Música colocada em 2o. lugar no Festival Universitário da TV TUPI, em 1968. Interpretada pelo cantor Raí e o grupo Os Baobás.

Leia mais em: MERDA. Dias Melhores! Serroni, Vicente. Aruna Editora e Produtora Cultural. SP, 2008.



FORAM MUITOS, OS PROFESSORES
                           Bartolomeu Campos de Queirós

Colaboração de Fábio Brito
(Um professor como poucos conheci nos últimos anos)


(...) Não sei se aprendi a fazer contas com meu avô. Ele mais me ensinava a “fazer de conta”. No entanto, eu diferenciava o mais alto do mais baixo, o bife maior do menor, as noites mais frias das noites mais quentes, o mais bonito do mais feio, a montanha mais longe, a dor mais pesada, a tristeza mais breve, a falta mais constante. Mas acreditava, e hoje ainda mais, não ser a casa de meu avô uma escola. Ela não possuía cartazes de cartolina nas paredes, vidro com semente de feijão brotando, cantinho de leitura com livrinhos infantis, lista de ajudantes do dia, tanque de areia, palhacinho de isopor, flanelógrafo de feltro verde. Meu avô devia supor que escola fosse o mundo inteiro, a vida inteira, com noite e dia, perdas e ganhos, dores e tristezas, sonos e sonhos.
            Mas eu somava o tempo de ausência de meu pai transportando manteiga, as horas sonoras do relógio, os suspiros na bandeja. Meu avô não usava toquinhos coloridos, tampinhas de garrafa, palitos de picolé nem me exigia uniforme. Ele nunca me convidou para fazer “rodinha”. Aprendi, porém, e como ninguém, a dar nós cegos em barbante, seu passatempo preferido. Meu avô me dizia: “Um bom nó cego tem que ser ainda surdo e mudo”. Penso ter vindo daí essa minha paixão pelos abraços e pelos laços.
            Em minha casa ninguém atribuía importância às minhas leituras. Eu aproveitava pedaços de jornais que vinham embrulhando coisas e lia em voz alta, procurando atenções e reconhecimentos. Meu pai me olhava e repetia sempre: “Menino, deixe de inventar histórias, você não sabe ler, nunca foi à escola” ou “Menino, deixe esse papel e vá procurar serviço melhor pra fazer”.
            Passei a duvidar da escola. Parecia-me um lugar só para dar autorizações. Se a escola não autorizasse, eu não poderia saber. O medo desse lugar passou a reinar em minha cabeça. Comecei a dar razão ao meu irmão, já capaz de dirigir o caminhão assentado em um travesseiro de paina. Mas logo me veio uma idéia: quando entrar para a escola, eu faço de conta que esqueci tudo e começo a aprender de novo. “Uma mentirinha é um santo remédio para botar um ponto final em conversa fiada”, me ensinou meu avô, coisa que comecei a praticar para encurtar perguntas e me livrar de incômodos. Havia pessoas que gostavam de indagar muito mais do que deviam.
            Cheguei de uniforme novo costurado pelo carinho de minha madrinha. O caderno era Avante, com menino bonito na capa, sustentando uma bandeira com um Brasil despaginado pelo vento. Menino rico, forte, com sapatos e meias soquete. O estojo de madeira estava completo: dois lápis Johann Faber com borracha verde na ponta e mais um apontador de metal. Um copo de alumínio, abrindo e fechando como o acordeom de Mário Zan, completava as exigências da escola. Só minha cabeça andava aflita para esquecer. E esquecer é não existir mais. Isso não é tarefa fácil para quem aprendia em liberdade, escolhia pelo prazer, guardava pela importância. 
            Fui acolhido por dona Maria Campos, minha primeira professora, com livro de chamada, caderno com plano de aula encapado com papel de seda. No pátio ela nos leu da cabeça aos pés, conferindo a limpeza do uniforme, as unhas lavadas, o cabelo penteado. Pela primeira vez me senti o seu livro. Miúdo, descalço, morria de inveja do menino Avante guardado no embornal. Fui o primeiro da fila. Dona Maria Campos segurou minha mão e a fila foi andando em direção à sala de aula. Mão fina e macia como o algodão da paineira, que minha mãe colhia aos tufos e costurava travesseiro com cheiro de mato. Meu coração disparou de amor e mão. Comecei, assim, naquele depois de meio-dia, a praticar minha promessa: tomar bomba no tudo já aprendido e começar branco como o caderno Avante. 
            Dona Maria vestia-se por todo o sempre com roupa clara, sapatos fechados, meias de seda, blusa bordada em branco sobre branco e mais um lenço preso no cinto ou na pulseira do relógio para assear as mãos depois de escrever no quadro-negro. Ela me emprestou seu lenço quando minha mãe viajou doente para a capital. Eu não usei. Preferi usar, como de costume, a manga da camisa, com medo de sujar no nariz e ela não mais gostar de mim. Todo o cuidado era pouco para não perder o seu amor. Sua alvura na roupa, seu olhar capaz de ver muito depois das coisas, sua voz mansa – mistura de fortaleza e doçura, me instigavam ao silêncio. Ela não pedia, mas eu a presenteava.
            Encher o caderno com fileiras e fileiras de a, e, i, o, u foi o primeiro exercício. Vaidosa, ela me apresentava os sinais para escrever e ler o mundo. Ganhar o seu visto feito com lápis azul ou vermelho riscava com alegria toda a minha vida. Eu me esforçava, caprichava na letra e mordia a língua no canto da boca. De carteira em carteira, ela corrigia os exercícios deixando no ar um cheiro de paineira e primavera. Estação que eu não distinguia “a olho nu”, mas imaginava.
            Um dia dona Maria Campos trouxe Lili, menina que gostava muito de doce e olhava pra mim. Lili foi o meu primeiro amor. Eu lia os cartazes, colava as sílabas, recortadas, com grude de polvilho, mentindo descobrir pela primeira vez as palavras. Vencia as horas folheando a cartilha, lendo até o fim, em silêncio, guardando em segredo os depois. A professora jamais soube do meu adiantamento. Na primeira carteira eu prestava atenção a tudo, sendo elogiado como menino aplicado, cheio de futuros. Nunca soube se precisava mesmo de suas lições ou de seu carinho. E isso ela bem me presenteava. Eu aprendia para ela. Mas, se não me esqueci de sua presença, valeu a pena.
            Fui escolhido para declamar no auditório da escola uma poesia. Ser escolhido já significava um prêmio. Decorei e repetia para as galinhas, os chuchus e a paineira o poema, cheio de medo de gaguejar e de decepcionar minha professora:

            Eu comi ontem no almoço
            A azeitona de uma empada,
            Depois botei o caroço
            Sobre a tolha engomada.

            Mas a mamãe logo nota
            E me ensina com carinho:
            O caroço não se bota
            Sobre a toalha, meu benzinho.

            O que ela me diz eu ouço
            Sempre com muita atenção
            E perguntei-lhe: o caroço, mamãe,
            Onde boto então?

            Toda pessoa de linha,
            De educação e de trato,
        O osso, o caroço, a espinha
            Põe no cantinho do prato.

            Eu depressa lhe respondo
            Com respeitoso carinho:
            Mas meu prato é redondo,
            Meu prato não tem cantinho!

        Não me lembro do autor dos versos ou se eram anônimos como eu, naquele fim de mundo, naquele miolo da Terra arredondada e sem aparentes arestas. Contudo, se não caíram no esquecimento, não devem ficar ignorados como outras coisas mais. Também não sei se eram aritmética aqueles problemas passados no quadro-negro, dividindo as dúzias de ovos e bananas, fracionando laranjas e maçãs em quatro ou oito partes iguais. Os litros de leite, se bem me lembro, divididos entre todos, me sugeriam pensar se a generosidade era um dom da vaca, do fazendeiro ou dos dois. Sei que nesses atos singelos, praticados com gestos amorosos, dona Maria Campos me ensinou demais, muito além das paredes de meu avô. Ou melhor, me ensinava serem muitos os lugares da escrita e da leitura. De suas histórias lidas no fim da aula, eu ainda guardo o cheiro do livro.
            Ingênuo, supondo ser a vida um processo de soma e não de subtração, juntei de cada um dos meus mestres um pedaço e protegi em minha intimidade. Concluo agora que, de tudo aprendido, resta a certeza do afeto como a primordial metodologia. Se dona Maria me tivesse dito estar o céu no inferno e o inferno no céu, seu carinho não me permitia dúvidas.
            Os cadernos de receitas de minha mãe, os livros velhos de meu pai, as paredes de meu avô, o livro de Sant’Ana, a mudez de Maria Turum, a fé viva de minha avó, a preguiça de meu irmão e tudo o mais, tudo ficou definitivamente impossível de ser desaprendido. Só não me convenço de ter comido apenas a azeitona da empada.

Bartolomeu Campos de Queirós está entre os autores de literatura infanto-juvenil entrevistados pelo Museu da Pessoa para o projeto "Memórias da Literatura Infanto-Juvenil". Navegue na página do projeto e confira o conteúdo na íntegra!



domingo, 10 de outubro de 2010


ASAS

                                                       Foto:Pedro Rossi
Com o fio da mais fina aranha
teço asas que me levam daqui.
De que cor é esse fio?
Quais as cores das asas do demônio,
do arcanjo, do escaravelho, da águia?

Do que são feitas tuas asas,
que te levam mais longe do que as minhas?
Por que tuas asas reluzem,                                             
queimam a retina,ofuscam as idéias,
confundem o raciocínio?

Por que não vês o brilho das minhas asas?
Do que são feitas tuas asas?
De arame, de areia, de pedaços de jornais não lidos?
De plástico inflamável?

Então, por que foges do fogo?
Como vês minhas asas?
Quebradas, cortadas, molhadas,
Inúteis porque não me trazem de volta daí?



                                      Ilustração: Nick Bantok (Agenda de Sabine)

PROSA POÉTICA


                                                                                                                    Colaboração de 
Fábio Brito

                                                                   
"Sou dessa leva de gente que tem como sina ver demais. Sentir demais. Amar quase do tamanho do amor. Traço de nascença, uma estranha dádiva que, durante temporadas, pra facilitar a própria vida, egoísmo que seja, a gente tenta disfarçar de tudo que é maneira que aprende. Mas não tem jeito, nunca terá, nascer assim é irremediável, o que é preciso é desaprender o medo.Por tudo o que é mais sagrado nesse mundo e em quaisquer outros que não tenho certeza se existem, mas suspeito, muitas vezes eu desejei não ver tanto. Criança, quando senti isso sem saber palavras, inventei minha miopia. Não adiantou: o encurtamento dos olhos é só do lado de fora, por dentro eu vejo muito comprido. Alguns sentem vida, sentem beleza, sentem amor, com doses de conta-gotas. Eu, não: é uma chuvarada dentro de mim."

Ana Jácomo
                                                                                                                     
                           Ilustração: Nick Bantock (Agenda de Sabine)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010




PARA SEMPRE LORCA

"Deixaria neste livro/toda a minha alma./ Este livro que viu/ as paisagens comigo/ e viveu horas santas./ Que pena dos livros/ que nos enchem as mãos/ de rosas e de estrelas/ e lentamente passam! (...)"
                                                  PROLOGO -  Federico Garcia Lorca. 
                                               (Trad.) William Angel de Melo



Federico García Lorca nasceu na região de Granada, na Espanha. Como o homem do sul da Espanha, de alma simples e direta, de estilo doce e comovente, é assim a poesia de Lorca, e  é de lá que ele trouxe para a sua arte a paisagem da Andaluzia impregnada pelo modo de viver das pessoas mais simples, de sua cultura e costumes, decorada pelos ladrilhos mouriscos pelos tons secos da terra com a qual se modela e esmalta a faiança no inconfundível azul do céu de Velásquez. 
Buscou resistir contra todo tipo de opressão, porém em 1936, ano da eclosão da Guerra Civil Espanhola, Federico Garcia Lorca, na mesma Granada,  foi preso e fuzilado por militantes franquistas, tornando-se símbolo da vítima dos regimes totalitários.
 

                                                PAZ

Soy un tipo pobre silencioso y apasionado que, así como el maravilloso Verlaine llevo dentro un lirio imposible de regar, y para los ojos tontos de aquéllos que me miran soy como una rosa con el tinte sexual de una peonía de abril, lo que no es verdad de mi corazón… (…) Mi  imagen y mis versos dan la impresión de algo muy pasional… y, sin embargo, en el fondo de mi alma hay un enorme deseo de ser infantil, muy pobre, escondido. Veo ante mi muchos problemas, muchos ojos que me atrapan, muchos conflictos entre la cabeza y el corazón y toda mi vegetación intenta entrar en un jardín dorado y lo intento una y otra vez porque me gustan las muñecas de papel y los juguetes infantiles… pero el fantasma que vive dentro de nosotros y nos odia me empuja sendero abajo. Uno tiene que seguir moviéndose porque tenemos que crecer y morir, pero no quiero prestarle ninguna atención… y, no obstante cada día que pasa tengo una nueva duda y una nueva tristeza. Tristeza del enigma de mi mismo."  (…) Creo que todo lo que hay a nuestro alrededor está lleno de almas que pasaron, que son los que provocan nuestras penas y que son los que entran en el reino habitado por esa virgen blanca y azul llamada (Melancolía… o, en otras palabras, el reino de la Poesía, (no concibo otra poesía que la lírica). Yo entré hace ya tiempo… Tras entrar en el reino de la Poesía, terminé por llenarme de amor por todo. Resumiendo, soy un chico bueno, que abre su corazón a todo el mundo… (…) Amo a Venus con locura, pero amo aún más la pregunta, ¿Corazón? Y sobre todo, me mantengo fiel a mi mismo, (…) ... quiero ser yo mí mismo.”


Fragmentos da carta que Lorca escreveu a um amigo poeta, dias antes de completar 20 anos, embora com idéias um pouco confusas e sem medir consequências, parecem fazer uma apresentação de si mesmo. Por seu caráter e seus poemas, tratava-se de uma pessoa apaixonada, pelo uso da palavra PAZ utilizada como título de sua carta-poema naquele instante da história espanhola sabia da existiência de um mundo além dos laranjais e oliveiras dos campos de Granada. De fora, ou de dentro de Granada o fato é que Lorca parecia ser como ele mesmo sugeria ser- um homem gentil,  um bom moço que via através da vidraça de sua confortável casa um menino que olhava para dentro de si.
Lorca não se prendeu somente aos costumes de sua terra como a traduziu em seu Cancioneiro Cigano, levando-o a ficar conhecido por toda a Espanha. Manifestou com outros tons suas preocupações existenciais, as  do menino que olha para dentro de si mesmo. 
Dramaturgo, poeta da irreverência e da metáfora, poeta do amor (e não apenas o amor cigano), o poeta carregava outra seleção de versos que necessitava de um espaço, ainda desocupado à sua época na Andaluzia rural, na Espanha franquista
Escreveu  em seus versos sobre todas as formas de amor sem ignorá-las, o que viria a ter um papel importante no desenvolvimento de sua arte. 
A literatura de Lorca se mostra como a de um espírito aberto para todos desde sempre,  a arte amável intimamente associada à paz, com sua generosidade lhe ensinou a não pertencer a maiorias seguras, mas a saber o que se sente ao ser ferido e insultado. Permitiu-lhe escrever poesia para aqueles que lutam e amam a paz, para os que não têm nada. 
Ensinou-lhe a enfrentar importantes questões existenciais, explorando-as e transcendendo-as por meio de sua arte. E ainda nos disse:
 “Si se me presentasen dos escalas,  por un lado mis propios sufrimientos, y la justicia por el otro, me inclinaría con todas mis fuerzas por la última.”


                     
Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco en el mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura,
Ella sueña en su baranda.
Verde carne, pelo verde,
Con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
Las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.


POEMAS

-Libro de Poemas
-Poema del Cante Jondo
-Primeras Canciones
-Canciones
-Romancero Gitano
-Poeta en Nueva York
-Llanto por Ignacio Sánches Mejías
-Seis Poemas Galegos
-Divan del Tamarit
-Poemas Sueltos

DRAMATURGIA

-Mariana Pineda
-La Zapatera Prodigiosa
-Bodas de Sangre
-Yerma
-La Casa de Bernarda Alba



GARCIA LORCA e SALVADOR DALI








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QUALQUER MANEIRA DE AMOR VALERÁ





 Imagens: Google images